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Antes de investir para atrair mais pessoas, descubra quais clientes realmente deram retorno.

Antes de investir para atrair mais pessoas, descubra quais clientes realmente deram retorno.

Quando uma empresa quer vender mais, quase sempre começa procurando alguma coisa nova. 

Um canal que ainda não testou, uma campanha diferente, um público maior ou uma plataforma que promete colocar mais contatos no funil.

Pode até funcionar. 

Mas existe um problema nessa ordem: a empresa começa a pagar para procurar mais clientes antes de entender quais clientes realmente vale a pena encontrar.

E não estamos falando apenas de quem fez a compra de maior valor. Faturamento alto pode impressionar no relatório e ainda esconder uma venda ruim. Se o contrato exigiu desconto, reuniões demais, retrabalho, prazo estourado e uma equipe inteira apagando incêndio, talvez aquele cliente tenha colocado dinheiro no caixa sem deixar retorno.

É por isso que, antes de aumentar o investimento em marketing, vale olhar para dentro. Os clientes que a empresa já atendeu carregam informações sobre o que vende melhor, o que dá margem, o que sobrecarrega a operação e o que deveria ser repetido.

Na Faria Lima, chamariam isso de definição do Ideal Customer Profile.

Na vida real, a pergunta é mais simples: que tipo de cliente faz o investimento da empresa valer a pena?

O melhor cliente não é necessariamente o que mais compra

Imagina uma pequena empresa de tecnologia com dois projetos recentes.

O primeiro cliente assinou um contrato de R$ 40 mil. 

Para fechar, pediu desconto. Durante a execução, mudou o escopo várias vezes, atrasou aprovações e consumiu 350 horas da equipe.

O segundo fechou por R$ 24 mil. O problema estava claro, as decisões foram rápidas e o projeto consumiu 120 horas. Depois da entrega, o cliente contratou uma nova etapa e ainda indicou outra empresa.

Se a análise considerar apenas faturamento, o primeiro parece melhor. Quando entram na conta o custo da equipe, o retrabalho, o tempo de entrega e as novas receitas geradas, o segundo pode ter sido muito mais rentável.

Esse é o ponto que costuma faltar quando uma empresa descreve o cliente ideal. Ela pensa em setor, porte, cidade ou cargo do decisor, mas esquece de incluir aquilo que sustenta o negócio: margem, esforço para atender, tempo para fechar e potencial de continuidade.

O perfil de cliente ideal não deveria ser o retrato de quem pode comprar. Deveria mostrar quem tem maior chance de comprar, obter resultado e deixar retorno para a empresa.

Mais contatos podem apenas multiplicar o problema

Se a empresa ainda não sabe diferenciar uma venda boa de uma venda apenas trabalhosa, aumentar o volume não resolve. Só coloca mais pessoas dentro de um processo que continua escolhendo clientes sem critério.

O marketing gera 100 contatos. O comercial responde os 100, agenda reuniões, prepara propostas e insiste nos retornos. No fim, algumas vendas acontecem. Ainda assim, ninguém consegue responder quais delas vieram do público certo, quais tiveram margem e quais deveriam orientar a próxima campanha.

É assim que uma empresa passa meses “fazendo marketing” sem saber se o dinheiro investido está voltando.

O problema não é exclusivo das pequenas empresas. 

O Annual Marketing Report 2025, da Nielsen, ouviu cerca de 1.400 profissionais de marketing ao redor do mundo e encontrou um cenário revelador: 

54% planejavam reduzir o investimento em publicidade naquele ano, mas apenas 32% mediam de forma integrada o retorno das mídias digitais e tradicionais.

Em outras palavras, boa parte do mercado estava revendo o orçamento sem enxergar o resultado completo. 

Para uma pequena ou média empresa, que não possui verba para aprender desperdiçando, essa falta de clareza pesa ainda mais.

Antes de decidir se precisa investir mais ou menos, a empresa precisa descobrir onde o investimento encontra clientes que devolvem margem, recorrência e crescimento.

O exercício dos últimos 20 clientes

Não precisa contratar uma consultoria internacional, montar um painel com 47 gráficos ou inventar uma persona chamada Roberto, de 42 anos, que gosta de café especial e assiste a séries no fim de semana.

Pega uma folha, abre a planilha ou consulta o sistema da empresa. Reúne os últimos 20 clientes e responde: quais cinco tu gostaria de atender novamente?

Mas não escolhe por simpatia nem somente pelo valor da nota fiscal. Para cada cliente, anota:

  • Quanto ele comprou;
  • Quanto sobrou depois dos custos da entrega;
  • Quantas horas ou recursos o atendimento consumiu;
  • Quanto tempo levou para fechar;
  • Se houve desconto, atraso ou retrabalho;
  • Se comprou novamente, renovou ou indicou;
  • Se a empresa resolveu um problema que domina;
  • Se o cliente reconheceu o valor da solução.

Esse exercício muda a pergunta. 

Em vez de “quem comprou mais?”, a empresa começa a investigar quem gerou o melhor retorno em relação ao dinheiro e ao esforço investidos para conquistar e atender.

Coloca o retorno na conta

Vamos trazer isso para a realidade de uma pequena empresa de serviços.

Durante três meses, ela investiu R$ 9 mil em marketing e conquistou seis clientes. Portanto, o custo médio de aquisição foi de R$ 1.500 por cliente.

Se a análise parar aí, todos parecem ter custado a mesma coisa. Só que três compraram um serviço de entrada de R$ 2.500, exigiram muitas reuniões e não voltaram. Os outros três contrataram projetos de R$ 6 mil, tiveram uma entrega mais fluida e dois compraram novamente.

O anúncio pode ter custado o mesmo para atrair cada grupo, mas o retorno foi completamente diferente.

Agora imagina que a empresa identifique o que os três melhores tinham em comum: eram negócios com pelo menos cinco pessoas na operação, já sentiam prejuízo com um processo desorganizado e procuraram ajuda quando o problema começou a limitar o crescimento.

Isso vale mais do que uma descrição ampla como “empreendedores interessados em gestão”. A informação permite mudar campanhas, conteúdos, perguntas de qualificação e argumentos comerciais.

Em vez de anunciar “melhore a gestão da sua empresa”, o negócio pode falar diretamente com quem está vivendo o momento identificado:

“Tua empresa cresceu, mas os controles continuam espalhados em planilhas e mensagens?”

A mensagem deixa de tentar convencer todo mundo. Ela ajuda o cliente certo a reconhecer que chegou a hora de comprar.

Quais padrões realmente importam?

Depois de escolher os cinco melhores clientes, compara quatro grupos de informação.

1. O problema

O que eles precisavam resolver? Qual dificuldade já estava custando dinheiro, tempo ou oportunidades? Quanto mais concreto for o problema, mais útil será o padrão.

“Queria crescer” diz pouco. “Perdia pedidos porque ninguém respondia os contatos a tempo” oferece um caminho claro para comunicação, qualificação e venda.

2. O momento

Por que decidiram comprar naquele período? A empresa estava crescendo, contratando, abrindo uma unidade, trocando de sistema ou sofrendo com um processo que deixou de funcionar?

Muitas vendas não acontecem apenas porque o cliente possui determinado perfil. Elas acontecem porque surgiu um contexto que transformou um incômodo em prioridade.

3. As condições para comprar e implementar

Quem tomou a decisão? Havia orçamento? A equipe estava preparada para participar? Existia estrutura mínima para a solução funcionar?

Um cliente pode ter o problema certo e ainda não reunir condições para avançar. Reconhecer isso evita que o comercial passe semanas tentando fechar uma venda que ainda não está pronta.

4. O retorno deixado

Qual foi a margem? Quanto esforço a entrega exigiu? Houve continuidade ou indicação? O projeto fortaleceu um serviço que a empresa deseja vender mais?

Esse último grupo impede que o cliente ideal seja definido apenas pela facilidade de fechar. Venda boa não é só a que entra. É a que continua fazendo sentido depois que o contrato foi assinado.

O histórico de clientes precisa chegar ao marketing

Depois de encontrar os padrões, não deixa a descoberta parada em uma planilha.

Se os clientes mais rentáveis chegam em determinado momento, os conteúdos precisam falar sobre esse momento. Se todos enfrentavam um problema parecido, a campanha precisa usar esse problema como filtro. Se um tipo de empresa fecha rápido, mas gera margem baixa, talvez não mereça a maior parte do orçamento.

Os critérios também devem aparecer no atendimento. Um formulário ou uma conversa inicial pode perguntar:

  • Qual problema a empresa precisa resolver?
  • Como ele é resolvido atualmente?
  • O que acontece se nada mudar?
  • Quem participa da decisão?
  • Existe prazo para começar?

Não se trata de criar obstáculos para a venda. Trata-se de reconhecer mais cedo onde existe uma oportunidade real.

ROI não começa no relatório da campanha

Existe uma tendência de atribuir o resultado ao último clique, ao anúncio final ou ao canal em que o contato deixou os dados. Entretanto, a jornada dificilmente é tão simples.

Um relatório de 2025 da Analytic Partners, baseado no seu banco internacional de inteligência comercial, mostrou que cerca de 30% dos cliques em buscas são gerados por outros tipos de marketing

O estudo também alerta que métricas de busca podem assumir o crédito por vendas que aconteceriam mesmo sem aquela campanha.

Para uma PME, a lição é prática: a plataforma mostra uma parte da história. O caixa mostra o desfecho.

Por isso, o retorno não deve ser analisado apenas por clique, contato ou custo por lead. A empresa precisa acompanhar quais campanhas trouxeram oportunidades, quais viraram vendas, quanto essas vendas deixaram de margem e quantas continuaram gerando receita.

O cálculo básico do ROI é:

ROI = (retorno obtido − investimento) ÷ investimento × 100

Mas a qualidade da resposta depende da qualidade do “retorno” colocado na fórmula. Usar apenas faturamento e ignorar custo operacional pode fazer uma venda ruim parecer excelente.

O cliente ideal é aquele que a empresa gostaria de multiplicar

No fim, definir o perfil de cliente ideal não é um exercício para produzir um documento bonito. É uma decisão sobre repetição.

Se o marketing trouxesse dez clientes iguais a esse, a empresa ficaria mais lucrativa ou apenas mais ocupada?

Essa pergunta obriga o negócio a olhar além da venda. Ela conecta aquisição, operação e caixa. Também deixa claro por que os melhores clientes do passado são uma fonte tão valiosa: eles mostram, com resultado real, quais relações comerciais merecem orientar o próximo investimento.

Antes de procurar mais pessoas fora, entende quem já fez o dinheiro investido valer a pena dentro da empresa.

Porque cliente ideal não é quem poderia comprar. É quem vale a pena atrair novamente.

E quando o marketing sabe exatamente quem deve encontrar, ele deixa de colecionar contatos e começa a trabalhar pelo retorno.

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